sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

...mas não com essa farda


"Eu tentei fugir, não queria me alistar

Eu quero lutar, mas não com essa farda"



Chegou o ano em que eu devo me alistar.

Por lei, todo jovem que completa 18 anos deve servir a sua pátria...
Mas será que consideram que a única forma de se fazer isso é fardado?

Eu tenho um sonho. Quero estudar para ser diplomata, e servir a minha pátria nas mesas de negociação; em uma embaixada, em um consulado. Lutando em rodadas comerciais por acordos mais justos para nós, por menos subsídios dos países desenvolvidos. Buscando alternativas pacíficas para que a flor cinzenta da guerra não nasça outra vez.

Estarei cumprindo menos o meu dever cívico, por não estar usando uma boina?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

De pincel na mão

O Sem Delongas está passando por uma pequena revolução. Mudanças, como sabemos, criam uma desordem temporária, mas podem trazer muitas coisas boas no final.

Assim como a nossa vida, que é melhor encarada de pincel na mão, é este blog. Nunca dispensará um retoque de inovação!

Transformar o que está do mesmo jeito há um longo tempo requer coragem, pois o que já é conhecido representa conforto, enquanto que o novo significa o desconhecido. E o desconhecido às vezes dá medo...

Porém, navegar é preciso. Este pensamento levou alguém a sair do Velho Mundo e vir desbravar o lugar onde moramos hoje! :)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Estudantes israelenses presos por rejeitarem alistamento pedem ajuda

Desde dezembro do ano passado ouvimos falar sobre os conflitos na região de Gaza, no Oriente Médio, entre israelenses e palestinos. Não é a primeira vez que isso acontece; já estamos acostumados a, vez ou outra, ver na televisão que um homem-bomba atacou aqui, um míssil foi lançado ali, um carro explodiu acolá. Entretanto, o destaque que a mídia internacional vem dando para os conflitos recentes pode significar duas coisas: a primeira, que desta vez a coisa é mais séria; e a segunda, de que a comunidade global não tolera mais, em silêncio, esse tipo de barbárie.

Existe uma tensão na região desde 1948, quando a ONU criou o Estado de Israel "por cima" do território palestino. A medida, que tinha um caráter de "pedido de desculpas" ao povo judeu pelo massacre do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial, desagradou quem ali morava. Creio que os judeus têm sim direito a um Estado, mas também compreendo a raiva dos palestinos: imagine alguém chegar no Brasil e decretar que dali em diante, cerca de 50% do nosso território se tornaria outro país e receberia uma outra população, tudo isso sem consultar os próprios brasileiros.

Existem muitos motivos que me fazem crer que nessa guerra os dois lados têm razão, ao mesmo tempo que não têm razão nenhuma. O fato é que a ofensiva de Israel contra a região de Gaza já ultrapassou há muito o nível de "autodefesa" e está assumindo ares de genocídio. Da última vez que consultei os números, 13 israelenses haviam morrido na guerra, enquanto o número de palestinos já passava de 700. E entre as vítimas palestinas, a maior parte era de civis, mortos em ataques inclusive à hospitais e escolas da ONU. Pelos dados, qualquer pessoa percebe que a "defesa" de Israel não é, nem um pouco, proporcional aos ataques sofridos, o que faz com que diversos países e organizações pressionem o governo israelense para que assine um cessar-fogo imediato.

Contudo, nem Israel, nem o Hamas, parecem dispostos a entrar em acordo. Não podemos, todavia, tomar a parte pelo todo; os extremistas são a minoria, e a grande parte do povo dos dois países só quer viver em paz. Chamou-me a atenção o apelo de um grupo de estudantes israelenses que foram presos pelo governo, por se recusarem a lutar em uma guerra com a qual não concordam. Os Shministim (nome equivalente a "colegiais", em hebreu) são estudantes do que no Brasil se chama de Ensino Médio, e que pela lei de Israel são obrigados a se alistarem nas forças armadas do país. Porém, um grupo deles rejeitou o alistamento, por uma questão de "consciência", já que não concordam com a ofensiva israelense na Palestina, e por isso foram enviados para prisões militares.

O movimento December 18th (coordenado pela Jewish Voice for Peace) está recolhendo assinaturas do mundo todo, que serão enviadas ao Ministro da Defesa de Israel, pedindo a liberação dos estudantes, de acordo com os Direitos Humanos e as Normas Internacionais. O site onde as assinaturas são enviadas é o http://december18th.org/. Existe um formulário e uma mensagem já pré-pronta, mas eu preferi arriscar um inglês meia-boca e pedir com as minhas próprias palavras. Passe lá, nem que seja para mandar a mensagem padrão mesmo. É bom mostrar que temos voz, e muita.

Abraço!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Coletânea de Pensamentos (dos outros!)

Sem-delongueiros!

Já devem ter notado uma bugiganga que eu instalei no topo da barra direita do blog, há algum tempo, com alguns pensamentos. Aquilo, claro, não era atualizado por mim o tempo todo, e sim por um script automático do site Pensador.info. Porém, como não era eu que escolhia os pensamentos (e sim o próprio site), vez ou outra surgia um pensamento bizarro, às vezes idiota, e alguns com os quais eu não concordava.

Como estou em fase de correriiiiia (vestibular!), não tenho tido tempo pra escrever coisa muito elaborada por aqui, mas hoje me sobrou um tempinho e eu fui no site Pensador montar a minha própria coletânea de frases, citações e idéias. Ainda irei acrescentar mais coisa, e já botei eles pra rodarem aleatoriamente no menu. Se vocês soubessem como é fácil montar uma coleção no site e colocar no blog, e como tem coisa legal, engraçada, de todos os tipos... aos que tem blog, fica a dica: pode ser interessante montar uma pro seu.

Quem quiser dar uma olhada na coleção que eu fiz (os que agora irão rodar no menu), sintam-se livres para clicar: http://www.pensador.info/colecao/raulcfranca/

E por aqui já toco o meu bonde.
Abraços!

domingo, 21 de dezembro de 2008

A menina que tinha as unhas mais bonitas do mundo

21 de Dezembro de 2008. Lar da Criança "Irmã Júlia".

Era uma tarde de festa. Um domingo é sempre dia de visita; mas quando se trata do último antes do Natal, a coisa fica diferente. Mais gente se faz presente; pessoas se dispõem a imitar artistas famosos, dublando-os; há bolo e refrigerante, e clima de celebração.

Quando eu me aproximei de um pequeno canteiro, no pátio modesto onde acontecia a festa, vi o meu amigo Filipe agachado, conversando com duas crianças. Eram duas garotinhas que moravam ali, e não demoraram muito para conquistar seu coração bondoso. À medida em que me aproximava, fui notando o vivo entusiasmo na fala de meu amigo; e as duas pequenas mostravam, nos olhos radiantes, a alegria de receber daquele desconhecido tão carinhoso o afeto que provavelmente nunca experimentavam através dos pais, ausentes.

Sentei na beirada do canteiro, junto com o Filipe e as pequeninas, e perguntei a uma delas qual era o seu nome. Respondeu algo baixinho, que não consegui ouvir; mas pude ver no crachá que se chamava Maria e tinha quatro anos. O meu amigo, que acabava de dizer algo à outra menina, virou-se para Maria e lhe disse:

"Olha! Você pintou as suas unhas de azul!! Ficou muito bom."
Reparei nas unhas dela, que estavam coloridas. Era um azul cor de piscina, meio descascado em algumas partes. Os dedinhos minúsculos, com um cisquinho de unha pintada de azul. E Maria sorriu, enquanto Filipe continuava os elogios. Foi quando ele e eu fomos chamados para ajudar em alguma outra coisa, ali na festa. Antes, porém, de ir embora, ele falou para a criança:

"Você tem as unhas mais bonitas do mundo!"

* * *

Minutos depois, circulando pelo pátio, vi outros dois amigos voluntários da Casa Transitória, o Lucas e o Rafael, "fazendo festa" para a pequena Maria. Num gesto espontâneo, ela mostrou as mãos para eles. Era engraçado o jeito como ela fazia; erguia as mãos na altura do rosto, com as costas da mão virada para eles. Percebendo a intenção da menina, um dos dois falou:

"Olha a unha dela, que linda!"

A menina, satisfeita, saiu andando pela festa. E mostrava as unhas para todo mundo. Aquilo tornou-se para ela uma fonte de auto-estima. Só então caiu a minha ficha de que, para uma criança que vive em um abrigo, privada do conforto, e sobretudo sem ter quem lhe dê um pouco mais de atenção (embora o pessoal do Lar seja extremamente dedicado, existem mais de 60 crianças para cuidar), talvez auto-estima seja algo mais valioso que oxigênio.

Antes de eu ir embora, ainda encontrei Maria uma última vez. E advinhe o que ela me mostrou...

* * *

A felicidade verdadeira não se faz sozinha. Muitas vezes é preciso que alguém te diga o quanto a sua presença traz alegria, o quanto é belo o seu sorriso, o quanto é bom poder contar contigo, e até mesmo como são bonitas as suas unhas...
Se nós temos o poder de fazer uma pessoa mais feliz com um simples elogio, que nada mais é do que um reconhecimento sincero de algo positivo que ela possui, então por que não fazer isso o tempo todo? Por que desperdiçar a chance de distribuir alegrias e fazer com que outras pessoas se sintam bem?

É mais uma lição que entra para o meu caderno...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sonho de Padaria

Quando eu era criança, entrei numa padaria.

E vi um balcão cheio de doces. No fundo, uma prateleira espelhada com vários tipos de pão. O teto de madeira, com luminárias, fazia do ambiente um lugar aconchegante. Era Dezembro; luzinhas natalinas enfeitavam o contorno das portas, um papai noel pendurava-se no alto de um armário. A noite já tinha caído, e a padaria estava cheia de gente, a rua estava cheia de gente, a cidade estava cheia de gente.

E eu, agarrado ao braço da minha mãe, lhe fiz um único pedido: queria aquele sonho, aquela coisa cremosa e mágica que repousava solitária na bandeja; aquele sonho que eu vislumbrava pelo vidro do balcão. Num gesto que só as mães têm, ela pediu para a mocinha embrulhar o sonho que encantaria a mesa do nosso café da noite.



E naquela noite eu me lambusei naquele doce; adormeci com os dentes cheios de creme e acordei há alguns dias, numa cidade já nem tão cheia de luzes, nem tão cheia de gente. Num lugar onde os balcões de padaria parecem todos iguais, infestados de pães duros ou emborrachados demais; onde o amor se esconde atrás dos olhos ansiosos de uma humanidade carente...

Olhei para cima num ato instintivo. Quando a coisa aperta, sempre olhamos para cima. Quis descobrir se ainda existiam crianças que se lambuzavam em sonhos de padaria; quis saber se o mundo sempre foi desse jeito, se eu é que ainda tenho os dentes sujos de creme enquanto o mundo tem bafo de cebola.

BlogBlogs.Com.Br

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pesquisas Recentes

Sabem, viver é um barato. Discorde se eu estiver mentindo: a vida é tão versátil que podemos fazer dela o que quisermos. Vou dar alguns exemplos, para ser mais claro no que eu estou dizendo: é possível, se eu quiser, encarar a vida como um roteiro de cinema e todas as pessoas como personagens. Cada momento uma cena, cada lugar um cenário. É um modo de ver as coisas.

Há quem tenha uma personalidade sistemática e leve a vida como uma linha de produção: o tempo é separado metodicamente entre estudo, trabalho, vida social e necessidades fisiológicas. É um jeito racionalista de se pensar, mas funciona bem para algumas pessoas. Veja que há um contraste entre este estilo de vida e o primeiro; um é mais artístico, o outro mais funcional. Citei dois, de tantos milhões que existem...

Não posso dizer que um está certo e o outro não, ou que um é melhor que o outro. Na verdade, identifico em mim mesmo uma mistureba de "sistemas". Dentre os que em mim habitam, existe o Modo Pesquisador. Quando minha "chavinha" está posicionada nessa modalidade, vejo a vida como um imenso campo de pesquisa onde tudo é fascinante e cada momento é uma nova descoberta.

E nas minhas expedições pelos caminhos da existência, observei o seguinte: todo mundo, cedo ou tarde, tem a sensação de que "está faltando alguma coisa no mundo". É quando, de repente, parece que acabou o assunto da humanidade. O dia está sem graça, as pessoas estão sem vida, a comida está sem gosto, não dá vontade de fazer nada.

A palavra que melhor representa isso, na minha opinião, é apatia. Já passei por isso (às vezes ainda passo), e considero como uma das piores coisas que existem. Veja, estar apático é diferente de estar sofrendo. No segundo caso, existe um motivo que, sendo passageiro, uma hora vai embora e então voltamos ao normal (normal = vivendo naturalmente, sem grandes frustrações). Agora, estar apático é simplesmente não se interessar por nada, sem que haja uma causa. Pelo contrário: em tese, tudo está certo, não há nenhum problema em especial; mas o mundo parece sem graça.

Você reconhece a situação de que estou falando? E agora me diga: e quando você está numa vibe positiva, zen, e recebe um choque, ao chegar num lugar onde reina a apatia? A coisa meio que pega, né? Particularmente, gostaria muito de ter o dom que algumas pessoas têm, aquela espécie de luz-própria, capaz de curar as apatias por onde passam. Penso em "pesquisar" métodos para desenvolver isso em mim; mas aí já é história pra outro capítulo. No momento apenas compartilho minhas observações, e, se possível, uma dica: preste atenção ao redor, tente descobrir onde há apatia. Veja se por acaso, o Apathiae mosquitus também não te deu uma picadinha. Vamos unir esforços para manter o fogo do entusiasmo aceso, onde quer que estejamos.

Abraços!