Mostrando postagens com marcador feliz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador feliz. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de setembro de 2008

Correspondência

Por onde anda você?

Em minha mochila ainda carrego os apetrechos comuns a nós dois. Nosso último ato corajoso foi retornar a esta selva para realizar as grandes experiências que planejamos. Naturalmente, viemos separados; não tinha como ser de outra maneira.

Os primeiros tempos já passaram, e me parece que as coisas estão dando certo. Estou cumprindo o dever que me foi dado, e sei que você, onde estiver, faz o mesmo. Porém, confesso que hoje me deu uma vontade de dar tudo no mundo para estar com você. Não precisa dizer; eu sei que não posso deixar a saudade roubar minhas forças. Prometo, prometo que vou caminhar com firmeza e não deixarei nada mal feito. Admiro você, por sempre ter tido essa serenidade tão maior que a minha, e mesmo tendo o direito de me tratar como um menino teimoso, ainda me entrega, em vez disso, um sorriso sincero com todo o amor que há no seu coração...

Acontece que eu tenho tanto pra te contar! Tenho certeza que você também tem muito a me dizer... queria apenas que não demorasse muito para chegar o instante que eu mais espero na vida: o de estarmos novamente reunidos, para jamais sentirmos outra vez a agonia da distância! Pois a verdade é que a vida, por mais que eu tente torná-la mágica, nunca será completa se você estiver longe.

Não existem atalhos, eu sei. E desta vez pode confiar em mim, que não hei de trazer-lhe decepção. Estou abastecido de coragem e de esperança, e da luta não irei me retirar enquanto houver alguém precisando de mim. O amor deixou de ser o motivo do meu fracasso e passou a ser a minha maior força inspiradora. Vê? Quando você aparecer, não será mais para me tirar do buraco.

Me despeço, com saudades que você nem pode imaginar. Mas com a esperança de nos vermos em breve!

do seu
Raul

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Algo sobre compreensão

Quando eu encontro um tempinho livre e despreocupado, gosto de me sentar para escrever. É uma forma terapêutica de dar vazão ao pensamento, além de ser um exercício para melhorar a minha comunicação. Por isso tenho tanta estima pelo meu blog, e pelos blogs dos meus amigos, que me permitem saber o que eles também estão sentindo. Blogs muitas vezes são um desabafório.

Existe muita coisa (diria até a maioria) que a escola não ensina, e que a gente só aprende mesmo prestando atenção na vida. Uma das que eu aprendi, nesse tempo todo, é que o estado de espírito de um contagia muitos. Desde então, tomo cuidado para que o meu ego, muitas vezes carente, não se atole no lodaçal da melancolia, contaminando quem eu mais amo e quero bem. Aprendi que a gente precisa ser feliz.

Desde então, adotei um pequeno ritual para escrever. Quando a dor de cotovelo aparece para um café, eu acabo sendo um pouco mal-educado e não a convidando para entrar. Converso com ela a sós, pela porta dos fundos, e logo me despeço, alegando outros compromissos. Tirando a metáfora de lado, isso quer dizer que eu escrevo minhas tolices necessárias em um caderno, que eu guardo aqui em casa. Porque escrever e publicar é coisa séria.

Para ir para o blog, o texto precisa passar no vestibular. Algo como as três peneiras, de Sócrates. Bem, é verdade que às vezes um ou outro faz a prova no chute e passa, como o texto anterior a esse. Mas em geral, eu penso da seguinte maneira: vamos equilibrar o mundo.

Já estamos carecas de ouvir a teoria de que para haver harmonia é preciso balancear o bem e o mal, e eu sei lá se concordo com isso. Mas de qualquer forma, mesmo que isso esteja certo, dá pra sentir que essa balança tem estado capenga ultimamente. As coisas positivas estão igual a torcida do Francisco Beltrão F. C. (alguém já ouviu falar deste time?), pulando alegremente em um canto do Maracanã, gritando alguma coisa que ninguém ouve direito, porque 99 em 100 cadeiras do estádio estão ocupadas por flamenguistas roxos e vibrantes.

(não estou associando o Flamengo às coisas negativas, por favor, só quis dar um exemplo. Não entendo de futebol.)

Fico besta de ver o mar de gente na porta do 13° DP, esperando a viatura chegar ou sair com o pai e a madrasta de Isabella. Mar de gente que espera horas para protestar e demonstrar indignação; tem gente que até falta no serviço para fazer isso. Oxalá, quem dera a galera tivesse esse pique todo para ficar na porta do Congresso Nacional, exigindo mais comprometimento dos "homens públicos" com suas promessas de campanha; na Avenida Paulista, em marcha pela conscientização ambiental; onde fosse, mas fazendo algo pelo seu próximo.

Se você concorda com o que eu disse, por favor, não se omita. Vamos, com muito prazer, nos levantar todos os dias com o ideal de vestir a camisa do Francisco Beltrão F.C. (no sentido metafórico ali de cima), ideal de fazer tudo diferente; de contestar a sociedade vigente de um modo inteligente: fazendo com sabedoria aquilo que deve ser feito e por algum motivo não é. Sejamos também "agentes modificadores", confeteando alegria por onde passarmos. Confeteando honestidade, confeteando compreensão.

Venha, você não está sozinho.